domingo, 20 de janeiro de 2013

ROSÂNGELA GOLDONI


GORJEIO
Rosângela Sgoldoni

despojos,
feridas,
exposição ardida
das entranhas enegrecidas
pelo
amor
em
estertor.

perdidos,
sem abrigo,
ainda insiste
um
gorjeio
em suas
vidas
a
ressoar.

ventos e tormentas
que estão a
espreitar.

10 01 2013

CANTO SOLO
Rosângela Sgoldoni

Vejo meus sonhos alimentados,
textos ensaiados à exaustão.
Teatros da vida frequentados,
faltam-me diretor e direção.

Refletores sempre desligados
embaçam as linhas de marcação;
percebo os palcos revirados,
eu, insistência e sofreguidão.

Neste percurso de canto solo,
permeio delírio e descompasso,
mas, bem atenta, eu me controlo.

Assim, dos meus sonhos não abro mão,
inteireza de vida, adeus ao cansaço,
alcançam meus versos absolvição!

13 05 2012

PONTO DE EQUILÍBRIO
Rosângela Sgoldoni

Sobram-me:
Palavras
Inúteis;
Sonhos
Submersos,
Paixões
Inadiáveis;
Versos
Controversos.
Procuro,
Urgentemente,
Um
Ponto
De
    E
     QUI
           LÍ
             BRIO!

15 08 2012

PEELING EMOCIONAL
Rosângela Sgoldoni

Num tempo de maturidade,
codinome meia idade,
decidi reagir:
acreditar em mim!
Providenciei:
lipo nos sentimentos,
drenagem nos ressentimentos
dermoabrasão nas cicatrizes da alma.
Rejuvenescimento de propósitos,
pequenas incisões nas tristezas,
laser nas deslealdades e falsidades.
Resultados satisfatórios:
mudei por dentro e por fora!
Abusei dos truques por intuição,
estou feliz com minha nova versão!

ARGAMASSA DA VIDA
Rosângela Sgoldoni

Hoje entendi que saudade não se define!
Sempre soube que doía uma despedida,
cada uma delas, na justa medida!

Mas não há medida justa para sentimentos,
cada um tem seu peso,
desespero e destempero.

Seu rastro é profundo, inevitável,
a marca deixada: indelével
todas têm seu mistério!

Meu coração tantas vezes trincado,
mais que machucado, aos pedaços,
tenta se recompor.

A cola a vida oferece:
sempre em forma de prece
argamassa onde entra o amor.

Cada lágrima rolada
sedimenta a virada
cujas pás são as mãos do Senhor!

10 10 2009

BEM DITAS POESIAS
Rosângela Sgoldoni

Perco-me à procura de sentimentos
no mais perfeito encontro da internet:
a poesia!
Leio e releio versos oblíquos,
ambíguos ou desconexos;
muita coisa sensata,
a palavra bem trabalhada,
revejo meus conceitos críticos:
além ou aquém, nada é desperdício.
Desconecto.
Vou até a estante, folheio ao acaso: farto-me!
Escolhidas a dedo,
desvendam segredos
do autor e da leitora:
simbiose declarada,
vidas escancaradas,
a vera ou por imaginação
Que seja bem-vinda,
bendita, a poesia,
vivida forma de expressão.

TEMPO
Rosângela Sgoldoni

O tempo perde-se no tempo
que se perde confuso na minha cabeça,

O tempo encontra-se nas ruas,
que se encontra nas faces sem piedade,

O tempo torna-se concreto
ao manejar fotos que a vida retrata.

O tempo, não quero entendê-lo,
prefiro vivê-lo de forma abstrata.

CHORO, ENTÃO!
Rosângela Sgoldoni

A saudade chega devagar.
Instala-se sem a minha permissão,
propaga-se de forma irregular
e começa a inundar meu coração!

Mas chorar?
- Eu não!

Afoga meu peito em tumultos,
desequilibra a mente sem piedade,
confunde as emoções sem sanidade,
qual olho de um imenso furacão!

Mas chorar?
- Eu não!

Estabeleço limites com rigor:
revogo qualquer intimidade,
não venha me ditar normalidade,
sou livre em discreta solidão.

Choro, então!

APENAS UMA MULHER
Rosângela Sgoldoni

Pode me chamar de bruxa,
feiticeira.
Invoque a Inquisição,
acenda fogueiras!
Não revido;
não tenho culpa de
mexer com a sua libido!
Do alto dos tribunais da vida
a sentença foi proferida.
Refute-a se puder.
Eu, inocentada,
sou apenas uma mulher.

SE ESSA RUA FOSSE MINHA
Rosângela Sgoldoni

Minha rua mudou de endereço.

Da minha janela prolongavam-se casas, cores e alguns jardins.

O nascente sol derramava seus raios dourados sobre a sala; corria a fechar a cortina para proteger a TV.

À noite, a lua, sem cerimônia, invadia o quarto.

Bem-te-vis e sabiás ensaiavam no telhado do prédio ao lado.

Sem que percebesse, as casas se transformaram em castelos de dominó: derrubadas uma a uma, deixando rastro de pó.

Ao pó misturaram-se pedras e cimento, como numa coqueteleira: guindastes, escavadeiras, betoneiras.

Vergalhões desfilavam altivos e ameaçadores, desconsiderando a paisagem dos antigos moradores.

Agora vivo cercada de arranha-céus: varandas invasivas compõem o meu painel.

Minha rua mudou de endereço...

Se essa rua fosse minha...





3 comentários:

  1. Obrigada, caro Bardo, pelo carinho e divulgação.

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  2. Obrigada, Fátima, pelo carinho da leitura e comentário.
    Apareça no meu blogo.
    Bjsss

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